quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Olga: Sei que voce não é sexóloga...

Querida Sheila

Sou brasileira, mas moro em Bruxelas. Meu marido é belga, e trabalha como gerente financeiro em prestigioso banco.  Somos casados há vários anos, e nossa vida sexual apesar de morna sempre pareceu normal para mim. Assim como a repetição de um hábito não questionado. Uma noite voltávamos de um jantar na casa de amigos onde tínhamos bebido um bocado. Passando por uma avenida, vimos uma mulher na esquina, uma prostituta que acenava para nós com gestos obscenos. Meu marido olhou para mim e, com um sorriso, parou o carro. Eu que jamais tinha tido qualquer fantasia de uma ménage a três, nem jamais tinha questionado minha submissão aos desejos de meu marido que sempre me pareceram normais não disse nada. Depois de um curto diálogo com meu marido, a mulher entrou em nosso carro, e fomos para casa. Eu, de tão pasma, nada questionei. Simplesmente me deixei levar. Bem, não conto mais o que aconteceu, e voce já pode imaginar. Porém depois desta noite, nunca mais fui a mesma. Passei a rejeitar o sexo com meu companheiro, e a vontade, que já não era mais premente mesmo antes do acontecido, simplesmente desapareceu. Já são vários meses, e eu continuo fria. Perdi o desejo. O que faço? Peço divórcio? Volto para minha terra? Sei que voce não é sexóloga, me desculpe, mas agradeceria teu conselho, caso isso fosse possível.

Olga
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Querida Olga,

Mesmo sob pseudônimo, o seu depoimento é corajoso. De fato, não entendo muito dessas questões. Mas acho que antes de ficar em dilema, você deveria se perguntar o quanto ama o seu marido, apesar de tudo. Não gostando mais dele, a resposta às suas questões virá naturalmente. Se, apesar de ter perdido o desejo, ainda existem nele qualidades que a atraiam, é bem provável você se arrepender quando estiver separada.

Se pensar que a história que viveu com o seu marido - sórdida, segundo a sua experiência - foi a realização de uma fantasia masculina (que, aliás, você aceitou); se ponderar que ele foi suficientemente honesto para não procurar uma prostituta em suas costas, você poderá encarar tudo isso apenas como um "deslize" sem grandes consequências. Da maneira morna como a sua vida sexual estava indo, antes do ocorrido, o desejo iria desaparecer de vez, de todo jeito.

Não conheço a sua idade, não sei se o quanto a vida sexual é importante para você. Em geral, sexo não é obrigatório. Existem casamentos muito felizes em que ele é substituído por ternura, respeito, admiração, amizade, cumplicidade e compartilhamento de outros prazeres, inclusive os espirituais. É muito raro encontrar alguém com quem você goste de viver, sem sofrimento, sem enormes concessões. Portanto, às vezes renuncia-se a certas coisas para se ganhar outras muito mais importantes. Contudo, se esta falta for uma fonte muito grande de frustração e mal-estar, você é corajosa, procure a sexualidade fora do casamento. Isto, com o consentimento do seu marido, claro. Se ele foi "aberto" à "ménage a três", é possível que permita uma "ménage a dois"... sem ele.

6 comentários:

  1. Daria o mesmo conselho, sem tirar nem por!

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    1. Que bom, querida Andrea! Isso reforça o meu :) Bjs

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  2. Excelente conselho! Não poderia ser melhor!!! Se eu fosse a Olga reconsideraria...

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    1. Querido "anônimo", espero que a Olga leia o seu comentário!

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