domingo, 23 de fevereiro de 2014

Eterna aprendiz: Como me comportar perante maus tratos

Querida Sheila,

Tenho 53 anos, sou casada, mãe de um homem de 34 anos. Sou constantemente criticada por meu filho, que se mostra sempre com "pavio curto " e respostas curtas e grosseiras. Ele mora com uma moça, mas não se casou ainda. Foi criado por mim, seu pai e eu nos separamos com pouco tempo de casados e cuidei dele sozinha, inclusive financeiramente.
Apesar de trabalhar fora sempre fui atenciosa e carinhosa com ele. O pai não. Ele é independente, mas ofereci como presente de aniversario uma ajuda na troca de carro, pois ele ainda esta galgando espaço no mundo. E ele, mesmo numa situação agradável como esta, consegue me tirar do serio com a sua constante impaciência. Por meu lado, gostaria de poder trocar uma ideia com ele, a respeito do carro que ele vai comprar, antes de receber uma ligação telefônica me perguntando como eu iria dar o dinheiro..(?!) Comentei esse caso do carro, como exemplo, mas em quase todos os momentos sou tratada assim por meu filho, minha mãe...!

Não quero mais viver assim, quero ser respeitada, mas sem ser grosseira como a maioria.

Obrigada, adorei conhecer seu blog e as suas respostas objetivas são uma luz.

Eterna aprendiz
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Querida Eterna aprendiz,

Você diz que quer ser respeitada. É normal. Todos queremos. O problema é que não basta querer. Como tudo na vida, é preciso conquistar. Talvez seja o caso de você examinar, em suas atitudes, o que faz com que o seu filho e a sua mãe não a respeitem. Não digo que a rudeza não faça parte do caráter deles. Porém, cabe a você descobrir o que - em você - desperta neles a impaciência e a grosseria.

Não a conheço, porém me pergunto se você tem medo de perder estas pessoas (ou o controle sobre elas) e por isso quer agradá-las a todo custo, aceitando tudo que façam a você. Este é um dos maiores motivos de desrespeito entre as pessoas. Muita gente não sabe que se deve estabelecer sérios limites, até mesmo para pessoas da família. É fixando regras que ganhamos respeito.

Outra coisa que impõe respeito é respeito. Se você respeitar a liberdade do seu filho, mostrar confiança nele, não exigir nada de volta e não manter expectativas... ele, sem dúvida, a respeitará igualmente. Porque oferecer uma ajuda na troca de carro a um homem independente que, apesar de solteiro e "galgando espaço no mundo", leva vida de casal? Ele pediu? Pedindo ou não, porque não oferecer, como presente de aniversário, um envelope com dinheiro para que ele decida sozinho como gastá-lo?

Você não precisa trocar idéias com o seu filho sobre o carro que ele gostaria de ter, basta saber que ele terá o carro que quer, graças ao seu presente, não? Ou você quer ter o controle sobre o que ele vai fazer com o seu dinheiro? Que, aliás, nem é mais seu desde o momento em que você o ofereceu como presente... Coloque-se no lugar do seu filho e de sua mãe e tente entender o porque do "pavio curto " e das respostas curtas e grosseiras. É possível que você fique surpreendida em descobrir como será fácil conquistar o respeito e o carinho deles.

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