quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pai desesperançado: "vampirinho suga o nosso pescoço"

Querida Sheila,

Você me conhece mas prefiro me manter incógnito por razões evidentes, e também para conhecer a sua opinião objetiva. Sou casado, tenho três filhos e uma vida dedicada ao trabalho, à família e aos amigos. Não somos ricos, mas estamos bem. O filho mais velho e a caçula são independentes e já não moram mais conosco. O do meio, perto dos 30, continua a viver às nossas custas. Ainda dorme, come, tem a roupa lavada, passada e recebe seus amigos em casa, sendo que algumas "amigas" às vezes temos o "prazer" de encontrar no café da manhã. Ele está empregado e poderia se virar sozinho, porém certamente não teria as mesmas vantagens que tem morando na nossa casa. Tudo que ele ganha, gasta com luxo, viagens e inutilidades. Ficamos esperando que um dia ele se case e seja obrigado a mudar. Até hoje tentamos justificar isso aos outros e a nós mesmos, porém a verdade sempre prevalece não é mesmo? Claro que gostamos de ver e de nos reunir com os nossos filhos. Porém, não o tempo todo. O fato é que, agora que demos duro para os educar, agora que eles estão adultos e nós aposentados, sonhamos com a nossa merecida liberdade. Apesar do nosso amor por ele, não aguentamos mais ver esse vampirinho nos sugar! Acha que estou errado? Devemos nos resignar?



Querido Pai desesperançado,

Incógnito ou não, tento ser objetiva. A melhor coisa da sua mensagem é o reconhecimento de que "o vampirinho está sugando vocês". No momento em que se admite este fato, já se está muito perto de sua resolução. Há muitos pais que se cegam com o intuito (às vezes inconsciente) de manter os filhotes sob as suas asas. Existem mil e uma estratégias para "agarrar" as crias. As mais eficazes se dão com o acordo delas: pais que agarram os filhos que, por sua vez - oportunistas como são - deixam-se agarrar. Trata-se de um círculo vicioso que só é quebrado quando se admite a verdade. Que pessoa normal (ou neurótico curado) poderia suportar um "vampirinho sugando o pescoço"?

Existem limites para tudo, inclusive para filhos. Também esperar que eles se casem para sair de casa não é uma boa solução. A minha sugestão é que vocês discutam abertamente o problema com o seu filho, comuniquem a ele os seus sentimentos e o orientem em direção à uma urgente e necessária independentização. Sejam firmes. Ajudem-no a encontrar soluções práticas com idéias e também com alguma contribuição material se for necessário. Mas lembrem-se de que não estarão fazendo isso apenas por vocês. Será ele, o grande beneficiário. Uma pessoa que dependa dos pais de alguma forma, não é adulta. E se, além disso, tiver mais de 21 anos, está com sérios problemas. Portanto, estas medidas que podem parecer egoístas, duras e intransigentes constituem, ao contrário, a única saída para que o seu filho resolva os problemas dele e se transforme, não apenas em adulto responsável mas, o que é mais importante, em uma pessoa evoluída.

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