quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lúcia: "sou uma desastrada"

Querida Sheila,

Não sei o que fazer. Como não podemos pagar, a minha empregada trabalha em casa só duas vezes por semana e quando ela não está, não passa um dia sem que eu quebre algumas coisas. Cinco dias sem empregada nos dá um prejuízo equivalente a um jogo completo de chá. Meu marido já me ameaçou até com divórcio pois, diz ele, "estou nos arruinando"... A verdade é que eu na cozinha acabo saindo mais caro do que uma mensalista!



Querida Lúcia,

Você vai acabar ficando sem dinheiro e sem marido. Mas eu tenho uma solução para o seu desajeito. Quando vim morar em Paris (aqui não dá para ter empregada) eu quebrava demais - não 5 - mas 7 vezes por semana. No dia em que quebrei uma porcelana amada que foi da minha avó, sentei no sofá e, no meio das lágrimas, refleti muito. Refleti tanto que descobri as razões pela quais quebrava tudo. Foi tão simples como o ovo de Colombo! Primeira: distração. Eu lavava ou guardava os artefatos pensando em outra coisa. Segunda razão: impaciência. Eu trabalhava de má vontade, com pressa de terminar. "Já que sou obrigada a fazer a louça, de que adianta fazê-la contrariada?", pensei. A partir de então, comecei a prestar atenção em meus gestos e, mais do que isso, inventei um balé harmonioso para cada vez que tivesse que levar ou tirar um copo da pia. Foi bem melhor para mim (e para os pratos) quando comecei a transformar a corvéia em diversão. Voilà! Se você seguir este ritual, nunca mais quebrará nada. Mas avise o seu marido. No começo ele é capaz de pensar que de tanto quebrar coisas, você enlouqueceu.

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